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domingo, 20 de dezembro de 2009

Boas férias

A termos de conclusão, podemos fazer um esquema que represente, de forma muito suscinta, o conteúdo estudado ao longo de semestre:

  • A perspectiva normativa da língua postula que a língua é uma expressão do pensamento, como é o caso da gramática tradicional, por exemplo (lingüística enquanto domínio, e não enquanto escola);
  • A perspectiva descritiva, por sua vez, postula que a língua é um sistema de signos que estabelecem relação de interdependência entre si, daí a preocupação com a identificação da organização sintática;
  • A perspectiva explicativa, como o próprio nome já diz, procura explicar o funcionamento da língua, com bases na concepção da língua enquanto faculdade, enquanto capacidade inata ao ser humano;
  • A perspectiva interpretativa, que busca o entendimento da língua a partir da análise das condições de produção do discurso - o que caracteriza uma postura materialista -, enxerga a língua como manifestação da ideologia, ou seja, de que lugar social o sujeito fala;
  • A perspectiva funcional, que tem como principal postulado que a organização da língua depende da situação de interação, enxerga a língua enquanto instrumento de comunicação, ou seja, a língua se constitui no uso.
Nicolle Casanova

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

De que trata a lingüística, afinal?

BORGES NETO, J & DASCAL, M. De que trata a lingüística, afinal? IN: BORGES NETO, J. Ensaios de Filosofia da Lingüística. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

No capítulo do livro “Ensaios de filosofia da lingüística”, de José Borges Neto, ao qual tivemos acesso, percebemos as possibilidades de abordagem lingüística e as formas de apreensão de realidade que delas decorrem através da relação que se estabelece, dentro de cada perspectiva, entre homem, língua e mundo. Borges Neto explica essa variedade de abordagens lingüísticas como conseqüência da dificuldade em delimitar um objeto de estudo da Lingüística. Seria simples dizer que este objeto é a linguagem, colocando a Lingüística no centro das ciências da linguagem como a ciência que de fato capta a essência do objeto em questão. Mas a linguagem não é homogênea; esta não implica em um objetivo comum a toda a Lingüística.
Desta forma, compreendendo uma série de objetivos inerentes a Lingüística, tem-se que esta se “subdivide”, ou seja, seu objeto permite seu estudo sob as mais diversas perspectivas, cada uma delas tomando para si uma parte da realidade deste objeto. Temos, assim, como “subdisciplinas” da Lingüística a fonologia, a morfologia, a semântica, etc.
Desta forma, segundo Borges Neto, a linguagem consistiria no objeto observacional, pois sua essência não se altera através do estudo. Entretanto, este se constrói a partir do objeto teórico que lhe é atribuído, ou seja, a partir do prisma pelo qual é observado. O objeto se constrói, portanto, a partir da perspectiva que recai sobre ele, e a partir dos objetivos que determinam essas perspectivas.

Nicolle Casanova